martes, 20 de enero de 2009
Maldita guerra,bendito amor
Depois de ter sintonizado em sua estação predileta,ao som de uma estonteante voz grave feminina,Lília observou mais uma vez a rua se enchendo.Os Ford de um lado para outro,as mulheres saindo de casa para mais uma esplêndida interpretação social – com muita diplomacia- achando que estavam imunes a olhares perspicazes e nada convencionais como os de Lília.Elas decoravam o roteiro,Lília não.Era praticamente impossível se mostrar vivaz e geniosa como de costume como aquelas pobre mulheres desoladas faziam.Desoladas,enquanto convivam com a idéia de serem trocadas por fuzis.estavam aceitando a inevitável e forte presença da incerteza em seus dias.A incerteza e a dúvida de saber se teriam os pais de seus filhos novamente sentados à mesa.Passavam vinte e quatro horas do dia questionando o porquê de sua viuvez momentânea.Mas pensar em ser viúva é doloroso demais,a dor transborda.Parecendo engolir trapos de pano,Lília vez ou outra se perdia em sua marca de batom vermelho carimbada no cigarro seguro entre os dedos trêmulos.O cômodo apertado foi ganhando espaço.o clima gelado e sufocante foi substituído por uma onda de calor e de frescor.O cheiro da sua colônia a abraçou.Por alguns segundos,Lília fechou seus olhos.Sim,ele estava sorrindo.Para ela,e somente para ela.Como resposta,o lábio arrancou-lhe d’alma um sorriso.Sua tez morena e naturalmente bronzeada não estava com um vestígio de sujeira sequer e seus cabelos mais negros que a asa da graúna recendiam em um doce aroma.Os olhos ainda sustentavam ar pomposo e ardil.Lília não era capaz de suportar,e sem pestanejar se entregou.Ela pertencia a ele ,por que resistir?Desvaneceu em seus braços.Ele viera lhe buscar;aquele fato que importava.importava tanto que não sentiu quando o cigarro escorregou por entre seus dedos e lambeu rapidamente os tapetes,as cortinas,a mobília.Mas Lília não notou nem se preocupou,pois estava indo em boa companhia...
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1 comentario:
É, o incêndio costuma levar tudo embora, com ou seu o aceite das pessoas. Guerras sempre deixam sentimentos diversos e estranhos.
Hahaha, Aline e sua tão característica modéstia!
Valeu pelo comentário!
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